-- Global site tag (gtag.js) - Google Ads: 800368142 -->
Compartilhe:
  •  
  •  
  •  
  •  

Análise Cognitiva em Ergonomia

Até antes do advento do eSocial, poucas empresas e profissionais falavam ou demonstravam interesse pela Ergonomia, passando então a modificar esta preocupação devido as obrigações que o eSocial deixou vigente.

Observamos que este interesse se volta não por se preocuparem com a importância da Ergonomia, mas pela cobrança do sistema, embora esta obrigatoriedade já seja presente e poucos a atendem de forma correta e assertiva.

Devido a busca de informações e conhecimento para esta demanda e diversos cursos com cargas horárias variadas e conteúdos diversos foram aparecendo, indo desde aqueles que seriamente abordam uma grade bem técnica a outros que se resumem no aprendizado de utilização de metodologias, ferramentas, com análise biomecânica e algumas até organizacionais para a elaboração de uma AET como se somente se isto fosse suficiente.

Não vamos entrar na questão do certo ou errado quanto a estes cursos, pois existem Pós-Graduações em Ergonomia, onde a carga horária e a grade irá qualificar o profissional como Ergonomista de forma diferenciada. Nesse contexto, ainda nestes mesmos cursos, pouco se vê a abordagem de conteúdos referentes à ergonomia organizacional, a questão multidisciplinar e principalmente sobre a ergonomia cognitiva.

E sobre a ergonomia cognitiva é que também algumas AET´s não realizam uma análise mais aprofundada e objetiva, devido à ausência de um olhar profissional especializado, pois lembramos que a Ergonomia envolve uma análise multidisciplinar. E ao abordarmos a analise cognitiva, devemos nos ater a informações que estão relacionadas aos aspectos mentais da atividade de trabalho de homens e mulheres, jovens e idosos, operadores, gerentes e demais níveis hierárquicos existentes na empresa.

Aristóteles já nos deixou claro a importância desta análise em uma de suas falas, “É da memória que o homem adquire experiência, porque as numerosas memórias de uma mesma coisa eventualmente produzem o efeito de uma experiência única”. Afinal, os problemas que mais lesionam e são graves no trabalho não estão somente relacionados aos impactos quanto aos elementos biomecânicos como muito se observa e apontam, pois, a ergonomia quando surgiu, foi para dar conta dos problemas físicos dos trabalhadores e acabou incorporando as questões organizacionais, cognitivas e também as psicossociais.

A ergonomia cognitiva tem em seu enfoque o ajuste entre a habilidades e limitações humanas às máquinas, as tarefas, aos ambientes, mas também observando o uso de certas faculdades mentais que iram permitir operar, ou seja, raciocinar e tomar decisões no trabalho a ser executado, restringindo por enquanto a um raciocínio operatório, seus determinantes e suas propriedades, ainda que nossa mente seja capaz de muitas outras coisas. Quando entramos no plano filosófico, é importante se reconhecer a dimensão cognitiva na atividade laboral e o fato que o ergonomista não pode se contentar somente em entender os processos de trabalho apenas nos seus aspectos físicos, tornando assim sua análise incompleta e insuficiente.

No plano social, o estudo cognitivo está inserido numa superação da concepção clássica que pressupõe a divisão entre trabalho manual e trabalho mental; vejamos exemplos onde uma vendedora de uma loja de roupas, passando por revista mental pelo que existe no estoque, ajuda a cliente na escolha de uma peça; quando você leva seu carro em uma oficina, o mecânico por meio de sinais que o veículo apresenta já consegue ter um pré diagnóstico do que poderá ser o problema; em uma linha de produção, um operador percebe que ao alterar uma posição no seu posto, replaneja seu trabalho, a montagem passa a ser mais rápida e menos penosa; a empregada doméstica quando inventa refeições com o que a dispensa possui naquele momento, sem saber que praticou a gestão da penúria, surpreendendo a todos com pratos bem diferentes, desconstruindo uma falácia que para certos trabalhos o trabalhador é desqualificado e que com a inclusão de novas tecnologias este quadro se agravaria ainda mais, pois com a ergonomia cognitiva podemos identificar com grande efetividade no que consiste a qualificação requerida para ocupar uma posição de trabalho em uma empresa.

No plano tecnológico, é imprescindível o estudo cognitivo quanto ao processo de evolução que as tarefas vêm passando, inclusive com a indústria 4.0, pois essa tecnologia precisa ser bem entendia e a operação assimilada, projetando assim os artefatos físicos, e anexos a estes o conjunto de suposições de como interagimos mentalmente com os recursos técnicos, sendo conhecida esta situação como “mentefatos”, que significa a construção de artefatos adicionados aos dispositivos técnicos e que nos ajudam a usá-los corretamente, como por exemplo a interação que temos hoje com os aparelhos celulares.

Por meio de um estudo ergonômico, a avaliação de trabalhos que estão sendo exercidos em condições inadequadas, e com a análise do ponto de vista cognitivo, complementada pelas análises do campo físico, podemos afirmar que não pode haver a dissociação do ser humano de sua holística pessoal, nem ignorarmos outras dimensões existentes na execução da atividade, do aspecto biomecânico e organizacional, tornando um conjunto que em cada forma de interação terá uma resposta do trabalhador na aquisição de informações, alterações referentes a ambiências físicas nos postos de trabalho, atividades em condições extremas, trabalhos em horários atípicos, a condição do próprio envelhecimento biológico, as cargas de trabalho e estresse, a exigência mais rigorosa nas competências profissionais e seu desenvolvimento, conflitos de comunicação no ambiente de trabalho, problemas sociais quanto a segurança do emprego, que acabam por influir e pesar na reação cognitiva do empregado quanto a se adaptar a estes fatores.

Por fim temos: “Quando representantes de profissões diferentes assumem visões conflitantes de uma mesma situação, é pouco provável que resolvam sua disputa fazendo referência a fatos ou julgamentos da eficácia relativa das ações. Com suas diferentes maneiras de conceber a situação, eles tendem a prestar atenção a conjuntos diferentes de fatos, ver os mesmos fatos de formas diferentes e fazer julgamentos da eficácia baseados em tipos diferentes de critérios. No entanto, se quiserem chegar a um acordo, eles devem tentar cada um penetrar no ponto de vista do outro. Eles devem tentar descobrir o que faz com que cada um concentre-se preferencialmente em um grupo de fatos ou critérios, explicite para si próprio as estratégias cognitivas tácitas e descubra como entende a concepção do outro acerca da situação” (SCHÖN, 2000, p. 164).

Na concepção de uma análise preliminar de situações de trabalho, prevista já na nova NR 17 ou na análise ergonômica do trabalho, quais seriam as ferramentas e metodologias apropriadas e o como trabalhar os resultados?

Os critérios a serem utilizados caberão ao Ergonomista ou aqueles que se aventuram por terem participado de cursos que acreditasse tê-los qualificado para tal empreitada, os resultados demonstraram se será um sucesso ou um fracasso.

Juiz de Fora, 18 de Junho de 2020.

 

Paulo Leal – Ergonomista/Engenheiro de Segurança do Trabalho

Consultoria e Mentoring em SST, eSocial e Ergonomia

 

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

  

   

 


Compartilhe:
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe uma resposta

Open chat
1
Fale com nosso setor comercial! Como podemos te ajudar?