Você parou para pensar sobre o Sars-Cov-2 em um contexto de Gerenciamento de Riscos. O que podemos aprender?

Para entender este assunto, vamos pensar no risco biológico Sars-Cov-2, que foi causador da COVID-19. Segundo os pesquisadores, ele foi inicialmente observado em dezembro de 2019, na cidade de Wuhan.

Observe que se trata de uma incerteza, pois não se conhecia bem suas características, a probabilidade de contaminação, a severidade e não se sabia que medidas de controle seriam as mais adequadas.

Somente após um processo de estudo que envolveu especialistas de todo o mundo é que foi possível classificar o risco e evoluir nas medidas de controle para probabilidade de contaminação e para redução da severidade dos danos causados por ela.

Muitas das medidas de controle precisaram ser propostas em um cenário de incerteza. Algumas foram assertivas no controle da pandemia, outras, nem tanto. Porém, todas tentavam responder ao risco, denominado Sars-Cov-2. Algumas eram para reduzir a probabilidade de contaminação, tais como o uso de máscaras, respiradores, isolamento, fechamento de locais de grande movimentação, campanhas para conscientização da população, aplicação de álcool gel, monitoramento de pessoas contaminadas e outras.

Também foram aplicadas medidas para tentar reduzir a severidade do dano, como o uso de medicamentos ainda não garantidos pela ciência e, agora, as vacinas. Cada vacina atua de maneira a reduzir a probabilidade de que, em caso de contaminação, o indivíduo exposto ao Sars-Cov-2 não tenha uma severidade alta, ou seja, existiu a exposição ao risco, porém a severidade será menor, pois foram aplicadas medidas de controle.

Além disso, ainda foram adotadas medidas para tratamento do risco em casos graves. Vejo como se fosse o Plano de Resposta à Emergência. Compra de respiradores, leitos de UTI, aumento de quadro médico, treinamento de profissionais de saúde e muitas outras ações, até poderiam enquadrar nesse item da nova NR01:

Item 1.5.6.2 Os procedimentos de respostas aos cenários de emergências devem prever:

  1.  os meios e recursos necessários para os primeiros socorros, encaminhamento de acidentados e abandono; e
    b) as medidas necessárias para os cenários de emergências de grande magnitude, quando aplicável. Será que podemos pensar nessa pandemia como um cenário de grande magnitude?Depois de muitos meses, já sabemos mais sobre esse risco e agora já podemos até mesmo classificá-lo, assim como dito na NR01. Também podemos adotar as medidas de controle com base nessa classificação e estabelecer um plano de ação. Veja novamente a NR 01:

    Item 1.5.3.2 a organização deve: classificar os riscos ocupacionais para determinar a necessidade de adoção de medidas de prevenção e implementar medidas de prevenção, de acordo com a classificação de risco e na ordem de prioridade estabelecida na alínea “g” do subitem 1.4.1; e no item
    5.7.3.2 Temos que o inventário de riscos precisa conter avaliação dos riscos, incluindo a classificação para fins de elaboração do plano de ação.

    A Comissão de Biossegurança em Saúde (CBS) do Ministério da Saúde realizou uma atualização da classificação dos agentes biológicos com potencial risco à saúde humana e o novo corona vírus (2019-nCoV) foi enquadrado como agente biológico classe de risco 3, seguindo a Classificação de Risco dos Agentes Biológicos, sendo sua transmissão de alto risco individual e moderado risco para a comunidade.

    O que é então o gerenciamento de riscos?

    Assim, gerenciar riscos é, em muitos momentos, propor ações menos estruturadas, enquanto se analisa e conhece todas ou a maioria das características relativas a ele.

     

     

 

Wesley Silva
Engº de Produção e de Segurança do Trabalho;
Especializado em Ergonomia e Direito Trabalhista e Previdenciário;
Diretor técnico da Innove Consultoria e Treinamentos;
Instrutor e palestrante em diversos cursos;
Consultor em Segurança do Trabalho, especialista em Gestão de SST;
Atuante no ramo de Mineração, Telecomunicações e Alimentício.
@inovetreinamento |innove.treinamentos@hotmail.com

 

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