PGR e GRO: Só haverá mudanças, se assumirmos o protagonismo

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PGR e GRO: Só haverá mudanças, se assumirmos o protagonismo

Desde a última revisão da NR-01 em março de 2020 se observa na internet uma enxurrada de vídeos, artigos e cursos sobre a importância, relevância e impactos que deverão ocorrer no dia a dia da nossa profissão com a extinção de documentos tradicionais (PPRA e PCMAT) e com a chegada do Gerenciamento de Risco Ocupacionais (GRO) e Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Acompanhado dessa percepção a cerca de um assunto desconhecido em sua realidade prática vem sendo destacada a necessidade de conhecer, dominar e se especializar nos documentos que serão a base de todo trabalho prevencionista.

Não entendo que assunto não deva ser explorado, discutido e colocado em destaque como uma peça central da nossa profissão, também não estou julgando posicionamento ou ponto de vista de meus colegas de profissão, ao qual tenho grande respeito e admiração por todos. Porém enxergo que muito se valoriza o contexto técnico-teórico de fazer um documento e entender sua estrutura e pouco ou quase nada se discute da necessidade de se desenvolver competências necessárias para colocar em prática esse processo de gestão.

Mas antes de entramos nesse contexto, gostaria de voltar a dezembro de 1994, ano quando foi instituído o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA. Qual será que foi a expectativa, os anseios, as projeções de futuro em contrariedade a realidade em seus mais de 25 anos de existência.

Pondero esse paralelo histórico porque tive a oportunidade de viver o início do Perfil Profissionagráfico Previdenciário – PPP e a tentativa do eSocial, que em seus respectivos inícios eram considerados marcos significantes para área de segurança e saúde, porém o primeiro nada mudou a realidade prática e o segundo nem chegou a vigorar.

Não quero trazer esses marcos históricos como frustação, tampouco compartilhar uma visão pessimista, mas colocar em discussão como direcionamos nossos esforços, intenções e energia para fazer dar certo as mudanças ocorridas em nossos processos de trabalho.

O que há de comum em todos os momentos é o foco na discussão da estrutura, modelo, possível fiscalização (que na maioria das vezes não acontece) e uma importância que não conseguimos demostrar ao empregador. Estudamos muito em o que, quem, quando e como será feito o papel, mas pouco ou nada buscamos de conhecimento para colocar em prática tudo o que está escrito.

Isso porque para colocar em prática seja o PPRA, PCMAT, PGR ou qualquer outro programa de segurança não está ligado somente ao conhecimento técnico. De nada adianta conhecer muito bem as normas se não conseguir enxergar as possibilidades de transformar as alíneas em tarefas

a serem executadas. E isso exige do técnico e/ou do engenheiro desenvolver algumas competências como comunicação e persuasão, liderança, visão sistêmica e estratégica, criatividade, inteligência emocional e empatia, gestão de tempo e recursos (escassos em sua maioria).

Atuo na área de SST há mais de 17 anos e há pelo menos uma década supervisionando e gerenciando equipes. Baseada nessa experiência e contato com milhares de profissionais através das redes sociais, identifiquei que 8 em cada 10 profissionais tem nessas competências seus maiores desafios. E que por mais que estudem e conheçam profundamente os documentos não tem as armas necessárias para vencer essa guerra.

Por exemplo, atualmente um dos itens que se dá destaque ao GRO/PGR é que o foco desses documentos no gerenciamento/gestão dos riscos ocupacionais.

Mas existe outra forma eficiente de fazer segurança e saúde sem gerenciar os riscos ocupacionais? Precisa realmente uma norma que diga que a empresa precisa implantar um processo de gerenciamento de riscos ocupacionais? Antecipar, reconhecer, avaliar, monitorar e controlar os riscos através do acompanhamento de um plano de ação não pode ser considerando um processo de gestão de riscos, mesmo que rudimentar?

Será que um programa que tem em sua estrutura apresenta um no mínimo um planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma, uma estratégia e metodologia de ação, uma forma do registro, manutenção e divulgação dos dados e periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento, não pode ser utilizado para realizarmos gestão?

Preciso salientar que quando me refiro a gestão de SST, não estou me referindo a implantação dos requisitos a ISO 45001, mas a ações direcionadas que permitam a empresa a obter ambientes seguros, de maneira a preservar a integridade física e a saúde dos seus trabalhadores.

A implantação da norma de gestão de SST deve ser uma consequência da evolução do grau de maturidade da cultura de prevenção em todas as esferas da organização.

Outros fatos muito discutidos de “inovação” do GRO/PGR é o fato da necessidade da realização de um inventário de riscos, da consideração dos fatores ergonômicos e de acidente e do uso de uma matriz de riscos.

Existe forma de controlar os riscos no ambiente de trabalho sem conhecer previamente e analisar seus impactos e consequências? Como posso definir prioridades se não tenho claro os riscos mais significantes, sua abrangência e possibilidade de ocorrência? Um profissional de SST realmente só irá fazer esse levantamento agora que é obrigatório?

O fato do PPRA tratar prioritariamente de riscos físicos, químicos e biológicos desobrigava ou isentava a responsabilidade do empregador resguardar os trabalhadores de possíveis danos dos agentes ergonômicos e/ou mecânicos? E como engenheiros e técnicos estabeleciam medidas de controle adequadas se não tivessem de forma clara o impacto, abrangência e possibilidade de ocorrência de acidentes ou doenças ocupacionais relacionadas a esses riscos? Até a criação do GRO/PGR eles seriam ignorados?

É importante salientar que independente de um programa específico para tratar desses aspectos a própria legislação já trazia obrigações para cuidarmos destes agentes, tanto na NR-17 pela obrigação da elaboração da análise ergonômica do trabalho, como por exemplo as normas 10, 12, 20, 33, 35 que trariam em seu texto o conceito de análise de risco.

Outro ponto de destaque é que a organização deve adotar as medidas necessárias para melhorar o desempenho em SST. Esse sinceramente apesar de não ser novidade do ponto de vista do conceito de gestão, entendo o ponto principal dessa mudança, pois conduz o profissional a se preocupar a estabelecer objetivos e metas, já que não há como evoluir sem estabelecer um parâmetro anterior e definir aonde se quer chegar.

Como posso avaliar se meu trabalho está sendo eficiente se a taxa de frequência e gravida continuam subindo nos últimos anos? Como ter a certeza de eficiência das proteções coletivas e individuais se tenho encontrado resultados anormais nos relatórios anuais do PCMSO? Como posso ter certeza da eficiência dos treinamentos aplicados, se os acidentes e o nível de conscientização e maturidade em SST da organização continua abaixo das minhas expectativas?

Uma frase atribuída a Peter Drucker, considerado pai da Teoria da Administração, se você não pode medir, você não pode gerenciar. E para avaliarmos a evolução do nosso trabalho dentro das empresas precisamos estabelecer indicadores tanto proativos quanto reativos.

Não estou ponderando esses aspectos com sentido de desqualificar a necessidade de inclusão ou desmerecer formalização e obrigatoriedade desses processos na NR-01. Apenas quero contextualizar que tudo sugerido nesta norma já deveria estar sendo realizado por todos nós e que se estamos achando que diferente do que fazemos em nosso dia a dia, precisamos urgentemente revisarmos nossos conceitos sobre a profissão, sobre nossa atuação e avaliar as atividades e dia a dia.

No meu entendimento o propósito da atualização é propor um sistema simples de gestão e podemos independente de certificação, usar os conceitos básicos da ISO 45001, focando nosso trabalho em melhoria contínua do desempenho, atendimento dos requisitos legais e outros requisitos e alcance dos objetivos de SST. Porém essa implantação conforme preconiza a mesma norma é uma decisão estratégica e operacional para a organização e seu sucesso dependente do envolvimento da liderança, comprometimento e participação de todos os níveis e funções.

Não há como colocar em prática o GRO/PGR sem primeiro conseguir vender o conceito de gestão para empresa e conseguir estruturar sua rotina focada em atender os objetivos estabelecidos. Não adianta estruturar um modelo de documento fantástico e não conseguir estabelecer um plano de ação factível para eliminar e/ou neutralizar riscos, não adianta estudar tudo sobre gestão e não conseguir trazer esse conhecimento para o seu dia a dia.

Por isso além de dominar todos os conceitos legais dos novos programas a partir de 2021, cabe a nós profissionais de SST buscarmos desde sempre, competências e habilidades além da técnica para mudarmos o discurso da obrigação legal e nos ampararmos na necessidade social, financeira e produtiva, ter um discurso concreto, baseado em dados, informações e números de forma a dar ao empregador todos os cenários, impactos positivos e negativos das ações de nossa área, envolvendo porque não a visão e missão da empresa e do próprio empreendedor nas aspirações e objetivos do SESMT, capacidade de organizar e estruturar ações direcionadas para resultados alinhados aos objetivos definidos pela organização, tendo a disciplina, foco e persistência em seguir as rotinas definidas e sabendo organizar as prioridades, capacidade de negociar, articular e liderar pessoas a favor das metas de SST, enxergar a SST como um engrenagem que deve rodar com todos os setores da empresa, se preocupando com a produtividade, com a redução de custos e com as pessoas, buscar incansavelmente soluções criativas e melhor custo benefício para problemas aparentemente sem solução, estar um passo à frente as objeções, questionamentos e dificuldades que venham se apresentar, ter humildade e sabedoria para ouvir e aprender com todos os níveis da organização e ser resiliente e entender que as negativas da empresa fazem parte desse processo e que o “não” de hoje deixa muito mais gostoso a resultado positivo de amanhã.

Enfim não entendo que só haverá mudança significativa com o PGR/GRO se nos preocupamos ao invés de dominar ou ser especialista no documento, termos competências e habilidades para tirar do papel independente do empregador, governo e empregado, porque precisamos parar de terceirizar algumas responsabilidades e assumirmos definitivamente o protagonismo da nossa profissão.

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Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa. PGR e GRO: Só haverá mudanças, se assumirmos o protagonismo PGR e GRO: Só haverá mudanças, se assumirmos o protagonismo PGR e GRO: Só haverá mudanças, se assumirmos o protagonismo PGR e GRO: Só haverá mudanças, se assumirmos o protagonismo

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