Nos últimos meses, diante da crise da Pandemia por COVID 19 e da necessidade da implementação de estratégias restritivas de circulação de pessoas nas cidades, muitas dúvidas têm sido colocadas em discussão sobre quais os serviços devem ser considerados essenciais. Sob o ponto de vista do modelo biomédico, curativo e assistencialista, passamos a focar as lentes nos serviços de saúde e nos profissionais que estão lidando com o avassalador desafio da superlotação das unidades e do colapso do sistema de saúde. Políticas de STT em tempos de Covid-19

Porém, sob o ponto de vista estruturalista, a dinâmica do funcionamento de serviços essenciais deve garantir à população o acesso àquilo que é fundamental para manutenção da vida e da saúde das pessoas em uma proposta de olhar coletivo.

Neste sentido, os serviços que envolvem assistência à saúde, infraestrutura e mobilidade, complexo agroindustrial de produção e distribuição de alimentos, distribuição de energia e recursos hídricos são fundamentais para garantir que as necessidades das pessoas sejam atendidas.

A partir desse olhar, podemos identificar a diversidade de profissionais que, nas diferentes áreas de atuação, precisam estar fisicamente atuando nos seus postos de trabalho convencionais adaptados ao cenário da Pandemia a fim de garantir o funcionamento das atividades econômicas fundamentais para manter a prestação de serviços de acordo com as necessidades da população. São motoristas, frentistas, produtores rurais, caixas de supermercados, balconistas de farmácias, equipe de manutenção de infraestrutura, engenheiros, técnicos de laboratório, motoboys, agentes de limpeza, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, dentre outros.

A cada perfil de profissionais deverá ser garantida a sua devida proteção de acordo com o grau de exposição ocupacional que cada um esteja exposto na sua rotina de trabalho obedecendo-se às recomendações oficiais das agências reguladoras. Portanto, é importante refletir sobre a relevância das políticas públicas que articulam a saúde do trabalhador e a garantia de seus direitos, inclusive os direitos universais à vida e à saúde. As ações de promoção à saúde do trabalhador devem permanecer ativas nos diferentes cenários não apenas como uma ferramenta de proteção à vida, mas como uma estratégia de manter o indivíduo saudável e economicamente ativo.

Ações de promoção à saúde podem estar relacionadas desde atividades educativas realizadas de forma remota, como por exemplo orientações sobre o uso adequado das máscaras faciais e a importância das medidas de controle da propagação do vírus, a programas de apoio psicológico disponibilizados ao trabalhador como estratégia de apoio à saúde mental destes profissionais. Uma ação bastante relevante de promoção à saúde é a disponibilização, bem como a capacitação para uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) durante a prática laborativa.

Os EPI’s utilizados podem variar de acordo com a exposição ocupacional, seja quanto à proteção contra o SARS COV 2 e à presença de outros agentes de risco presentes na prática de cada categoria profissional. Vale salientar que as orientações de higienização das mãos, das superfícies, uso de máscara, etiqueta respiratória são válidas para a população em geral, porém, aos trabalhadores, além das recomendações em geral, é necessário garantir não apenas o acesso aos EPI’s mas também garantir o seu uso adequado à sua atividade laboral de acordo com a sua exposição ocupacional.

É importante estarmos atentos ao fortalecimento de políticas que salvaguardam a saúde das populações, em especial a saúde dos trabalhadores em tempos de Pandemia. Políticas de STT em tempos de Covid-19

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