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Em âmbito nacional, um brasileiro morre vítima de acidentes de trabalho a cada quatro horas e meia, de acordo com o levantamento realizado pelo Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho do Ministério Público do Trabalho.

Para mitigar a questão, não devemos procurar culpados. A tendência de resolver problemas de segurança e acidentes no trabalho é achar um responsável e pensar que, desta forma, será solucionada. Isto não é verdade, e se esta for a atitude tomada, o risco voltará a ocorrer.

Para que, de fato, os acidentes diminuam em incidência, é necessária uma mudança de cultura, e não apenas mecanismos de punição aos desacordos com as regras, que geram riscos de causas acidentais. No que diz respeito à segurança, o Brasil ainda está em um estágio inicial. E, neste ponto, não relacionamos apenas ao universo profissional. Salvo algumas exceções, o brasileiro não se preocupa com estas questões dentro de casa, ou em momentos de lazer, etc.

Como exemplo, podemos citar vias que exigem velocidade reduzida e que no País, são repletas de lombadas, porque apenas a legislação de trânsito com placas, não funciona. É preciso que exista uma barreira física, para evitar que o condutor cause acidentes.

No âmbito empresarial a lógica permanece a mesma, se preocupar com a segurança do trabalho é algo visto como um custo, que atrapalha a produção, diminui lucros, entre outros inúmeros argumentos errôneos.

Porém, é preciso ter em mente que quando uma norma de segurança é criada, isso significa que o acidente já ocorreu e o objetivo dela é que não aconteça novamente. Por isso, é preciso olhar para a legislação trabalhista não como algo que atrapalhe, mas sim que assegura a vida, a integridade física e a saúde dos colaboradores de uma empresa.

Há ainda, uma grande curva de aprendizado do brasileiro para que a cultura de segurança do trabalho possa, em alguns anos, se tornar parte de uma consciência coletiva mais homogênea.

A questão exige comprometimento em longo prazo. O Global Minerals Industry Risk Management program, do qual sou membro, congrega globalmente empresas preocupadas com a segurança do trabalho e estas, para serem associadas, passam por cinco etapas, cada uma com a duração de dois anos. O que significa que leva quase uma década para mudar a cultura da organização que deseja fazer parte desta iniciativa.

E não é por acaso que as organizações mais lucrativas do mundo também são as mais seguras. Isso porque, já se sabe que a preocupação com a segurança gera lucro.

No Brasil, existem, inclusive, incentivos para a comunidade empresarial seguir as normas. Há, por exemplo, uma taxa de custo atribuída à previdência social chamada Fator Acidentário de Prevenção, ou FAP. O valor é menor para as que investem em programas, medias de segurança e prevenção de acidentes. É possível pagar a metade da taxa por oferecer condições seguras de trabalho aos colaborados ou ainda, o dobro, caso a organização não se preocupe com a questão. Além de ser um risco para o trabalhador, os acidentes são muito caros.

Quando tratamos de acidente de trabalho, não é apenas um setor ou outro que deve ser levado em consideração. Muitos pensam em construção civil, mineração, petróleo como foco, mas a verdade é que o problema abrange todas as organizações. Neste sentido, são tomadas medidas cíclicas, a cada vez que uma pesquisa ou análise aponta um segmento de mercado como inseguro. São adotadas então, ações emergenciais e com o tempo, como não há mudança estrutural e cultural, a preocupação desaparece e os incidentes, passam a ser inevitáveis novamente.

Ainda há uma legislação permissiva no Brasil, um exemplo é o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, que obriga a empresa a deixar o local em condições de trabalho seguras para o colaborador. Como nem sempre isso ocorre, é paga uma taxa chamada de insalubridade. O que é uma incoerência, porque a organização deveria fornecer um local seguro para o trabalhador, que por sua vez, deveria exigir tais condições.

Porém aqui, outras questões socioeconômicas pesam, já que é de fato pago um valor maior ao colaborador que trabalha em condições insalubres, que por sua vez, complementa a renda, a custa da sua saúde ou até mesmo vida.

Este cenário caótico gera o grande número de acidente que vemos no País. A Saúde deixa de estar e primeiro lugar e deixa-se de lado o objetivo maior de todo trabalhador, que é voltar vivo e com saúde para casa.

No entanto, ao contrário do que muitos imaginam, a punição das empresas não deve resolver este problema. É preciso que se mude a cultura da população.

Para explicar, podemos citar o caso de motoristas que trafegam com frequência em velocidade acima do indicado pelas vias. Para resolver esta questão, foram criadas leis mais severas e passou-se a utilizar o radar para punir quem não as respeita. O que ocorre na prática é que o condutor do veículo diminui a velocidade apenas antes do equipamento de aferição e então, volta a acelerar.

Desta forma, é possível entender que a punição é mais um mecanismo de maquiar o problema e quando o incidente ocorre, pensa-se que é uma fatalidade. Porém, o que acontece é a ausência de um conjunto de medidas estruturais que fariam que todos optassem por segurança. Por meio da penalidade, há um incentivo para que haja uma busca de maneiras para burlar a fiscalização.

Existem programas que podem melhorar a cultura de prevenção de acidentes, principalmente se aplicados em âmbito nacional, o que de fato, colocaria o Brasil em um patamar elevado de conscientização social e também, de obtenção de lucro das organizações que valorizam a vida.


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