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No post de hoje, da série assinada por Alexandre Pinto da Silva, Engenheiro Eletricista e de Segurança do Trabalho, Higienista Ocupacional certificado pela ABHO0095, vamos falar de controle e medidas que podem ser adotadas para prevenir impactos negativos de novas formas de trabalho sobre a segurança e saúde dos trabalhadores.

Acompanhe!

 

  1. Medidas de Controle para a Preservação da Saúde e Segurança dos Trabalhadores Frente as Novas Formas de Trabalho

Diante das novas formas de trabalho, como explorado nesta pesquisa, os governos e as empresa estão com o desafio de entender qual o impacto real na saúde, segurança, meio ambiente e qualidade de vida no trabalho, porque os trabalhadores já começam a serem impactados por essas mudanças.

Algumas ações básicas devem continuar a serem incentivadas, como a prática da atividade física, pois essa continua sendo essencial para que o corpo e a mente dos trabalhadores continuem mantendo boas condições psicofisilógicas, melhorando a produção, tendo como consequência positiva a preservação da saúde dos trabalhadores e a diminuição de doenças e acidentes no trabalho.

Quando os trabalhadores estão laborando fisicamente dentro de uma empresa, muitas dessas organizações já investem na alteração do ambiente de trabalho, para que este ambiente se torne mais prazeroso e confortável para os trabalhadores. Isso faz com que estes trabalhadores não sintam repulsa em estar no ambiente de trabalho, melhorando a sua qualidade de vida no trabalho. O problema é que, quando não se está no ambiente de trabalho, como garantir aos trabalhadores um ambiente confortável, se este ambiente pode formalmente nem existir?

Outro ponto que deve ser explorado é a questão da valorização dos trabalhadores. Além da questão salarial, que é fundamental para que as pessoas possam viver com sustentabilidade, os bons trabalhos devem ser reconhecidos, valorizados, trazendo ao trabalhador a sensação de dever cumprido, de satisfação profissional. Esses trabalhos devem ser premiados, com elogios, folgas, férias, jantares, além, é claro, de uma compensação financeira justa.

Também de suma importância, a flexibilização dos horários de trabalho deve ser levada em consideração. A cultura ainda hoje persiste em um controle rigoroso das jornadas de trabalho, com horários rígidos de chegada e saída do trabalho, porém, com as mudanças trazidas pelas novas formas de trabalho, isso pode não mais se justificar, pois os horários deverão se tornar a cada dia mais flexíveis. Por exemplo, um trabalhador que possa escolher sua hora de deslocamento para desenvolver algum tipo de atividade, pode evitar congestionamentos estressantes, principalmente em grandes centros urbanos em horários de pico.

Porém, o que continua e continuará sendo de suma importância são as pausas durante as jornadas de trabalho, para que o trabalhador possa ter uma recuperação psicofisilógica. Mesmo com as novas formas de trabalho, o corpo e a mente continuam os mesmos, necessitando de recuperação, não só física, mas principalmente psicológica, pois as atividades estão a cada dia exigindo mais cognição!

Por exemplo, no Brasil, existe uma norma regulamentadora trabalhista de ergonomia, chamada NR 17, que já chama a atenção, desde o ano 1990 para a recuperação psicofisiológica dos trabalhadores.

17.1. Esta Norma Regulamentadora visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente.

Veja que esta norma tem como objetivo estabelecer parâmetros mínimos de adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológica dos trabalhadores, para tentar proporcionar o máximo de conforto e segurança, para que os trabalhadores tenham um desempenho suficiente em seu trabalho, sem comprometer a sua saúde se segurança. Essa mesma norma diz que, para que sejam tomadas ações para a melhoria das condições de trabalho, deve ser elaborada uma Análise Ergonômica do Trabalho – AET, sob a responsabilidade do empregador.

Essa norma trabalhista também chama a atenção para a organização do trabalho nas empresas, devendo se levar em conta as normas de produção, a exigência de tempo, o ritmo de trabalho, o conteúdo das tarefas, entre outros.

O estabelecimento de pausas durante a jornada de trabalho também está previsto nessa normativa, estabelecendo, por exemplo, que o trabalhador que tem como atividade a entrada digital de dados, ou digitação, deve a cada 50 minutos de trabalho descansar 10 minutos, para sua recuperação psicofisiológica. O estabelecimento desta pausa está focada no setor bancário, onde havia muita digitação, tendo como consequência muitos afastamentos por LER/DORT. Para as demais atividades, devem ser estabelecidas as pausas por um profissional da área de saúde e segurança do trabalho.

Talvez essa medida, o estabelecimento de pausa, seja a medida mais importante devido as novas formas de trabalho, porém, a cada dia fica de difícil controle, devido às várias ferramentas disponíveis que o trabalhador pode usar para trabalhar, estando em qualquer lugar, conectado ou não!

Em se tratando em medidas de controle para a preservação da saúde e segurança dos trabalhadores frente às novas formas de trabalho, esse é o principal desafio do “mundo do trabalho do futuro”, pois o trabalhador não estando presente fisicamente na empresa, o monitoramento, a orientação e o relacionamento com os trabalhadores fica mais difícil. Os trabalhadores estão a cada dia mais conectados, porém, cada dia mais isolados, impedindo o funcionamento dos mecanismos de regulação dos grupamentos humanos.

Isso traz consequências sérias para a saúde mental do ser humano, dos trabalhadores em geral.

 

2. Considerações Finais

Os prevencionistas, sendo governo, empregadores ou trabalhadores de todo o mundo devem encarar o problema de frente, desenvolvendo campanhas para entender o novo mundo do trabalho e seus impactos, principalmente no que se refere aos impactos na saúde mental dos trabalhadores.

Os trabalhadores devem ser apoiados para continuar sendo necessários, se sentindo seguros em seus postos de trabalho.

As empresas, frente a esses novos impactos, ainda continuam com a função social muito importante, pois também possuem um papel didático-pedagógico na sociedade, e devem estimular seus trabalhadores, por exemplo, a dormirem bem, ter o hábito de uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos regularmente, fazer atividades de sociabilização de seus trabalhadores que tragam satisfação para todos e, como fator fundamental, que os trabalhadores tirem férias e viagem com a família e amigos.

As novas formas de trabalho, principalmente com o avanço da tecnologia trarão grandes impactos no mundo do trabalho, com consequências ainda não muito conhecidas. Em recente relatório da OSHA-EU – European Agency for Safety na Health at Work, com o título, Foresight on new and emerging occupational safety and health risks associated with digitalisation by 2025 European Risk Observatory Report, em sua conclusão diz:

A força de trabalho será mais diversificada e dispersa, mudando frequentemente os empregos e trabalhando online, em vez de estar presente pessoalmente. Tudo isto dará origem a desafios e oportunidades, incluindo os de SST. É difícil prever essas mudanças, portanto, cenários do futuro, como os produzidos durante este projeto de previsão, são uma ferramenta valiosa para ajudar a informar os formuladores de políticas.

Da mesma forma que as novas formas de trabalho criam novas atividades, eliminam várias outras, cabendo ao estado elaborar uma estratégia para fazer a gestão entre as empresas, os que perderam o emprego e os que estão laborando já com as novas formas de trabalho.

É obrigação das empresas garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável para seus trabalhadores. A própria Agência Europeia de Saúde e Segurança do Trabalho (OSHA-EU), através do European Pillar of Social Rights, publicado pelo parlamento europeu em 17 de novembro de 2017, já chama a atenção que os trabalhadores têm direito a um ambiente de trabalho que seja adaptado às suas necessidades, que permitam a estes prolongarem sua participação no mercado de trabalho (OSHA-EU, 2017). Esses pilares contam com 20 princípios a que os trabalhadores têm direito, como acesso a serviços essenciais, cuidados com a saúde, proteção social, informações sobre condições de trabalho, entre outros. A pergunta é: Como garantir esse ambiente de trabalho saudável diante as novas formas de trabalho, com as relações de trabalho cada vez mais enfraquecidas?

E se esse ambiente não existe fisicamente? Como garantir condições de trabalho saudáveis e sustentáveis? E a Seguridade Social? Como obrigar a este trabalhador a filiar-se ao sistema, se este não possui nenhum tipo de vínculo de trabalho formal?

Estamos diante de um grande desafio frente as novas formas de trabalho, e os governos, empresas e trabalhadores devem trabalhar em conjunto para buscar soluções inovadoras para garantir saúde, segurança, meio ambiente e qualidade de vida para quem trabalha e gera riquezas para os países, para todo o mundo.

Jack Ma acredita que no futuro os humanos trabalharão apenas 12 horas por semana. Ele acha que as máquinas nos libertarão de muitas horas de trabalho. O ex-presidente da grande empresa chinesa de tecnologia Alibaba disse isso no final de agosto de 2019 em um congresso de inteligência artificial em Xangai”. (El País, 2019). Será que isso vai acontecer?

Que principalmente o poder público e o empresariado possa desenvolver formas de análise de cenários futuros no mundo do trabalho, estabelecer políticas e estratégias para que possamos nos antecipar aos impactos que são causados na saúde do trabalhador pelas novas formas de  trabalho.

Que possamos oferecer trabalhos dignos para os jovens que estão ingressando no mundo do trabalho, como também saúde e segurança no trabalho para todos os trabalhadores e, sobretudo, segurança social para os idosos que já deixaram o mundo do trabalho.

Este trabalho não tem a intenção de esgotar o assunto das novas formas de trabalho frente ao avanço da tecnologia, com reflexos na saúde de segurança dos trabalhadores, mas sim, “provocar” uma discussão séria e objetiva sobre o tema, a fim de promover novas reflexões para que possamos trabalhar, de uma forma prevencionista, nos antecipando aos problemas que poderão surgir, para que esses impactos sejam minimizados, não adoecendo nossa força de trabalho, não sobrecarregando os sistemas de Seguridade Social, tendo como consequência a construção de um mundo melhor, com saúde, segurança e qualidade de vida no trabalho.

 

Alexandre Pinto da Silva

Engenheiro Eletricista e de Segurança do Trabalho, Higienista Ocupacional certificado pela ABHO0095, Pós-graduado em Gestão Previdenciária, Higiene Ocupacional, Sistemas Elétricos de Potência e Radioproteção. Mestre pela UFMG e Master em Prevención Y Proteccion de Riesgos Profesionales – Especialidade de Higiene Industrial pela Organización Iberoamericana de Seguridad Social – Universidad de Alcalá – Madrid-España. Trabalha a 29 anos na Cemig. É professor de Pós-Graduação do curso de Engenharia de Segurança do Trabalho e Higiene Ocupacional. Possui 04 livros publicados sobre saúde e segurança do trabalho, além de mais de 30 artigos técnicos na área de saúde, segurança e qualidade de vida no trabalho!


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