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A Pandemia do Novo Coronavírus teve início na China em 31 dezembro de 2019, e três meses depois já havia se espalhado por 203 países. De acordo com o instituto John Hopkins, em início de abril já eram 1,3 milhões de infectados e mais de 74 mil mortes. Estes números ainda estão longe de retratar o auge do desastre para que se possa compreender a complexidade do caos e de suas consequências.

Cabe destacar que esta situação é absolutamente sem precedentes no Brasil. Ainda não havíamos vivido um ambiente de pandemia que nos exigisse o isolamento social e a ruptura abrupta de nossa rotina e de velhos hábitos. Diante da notícia e informação clara de ameaça, todos nós buscamos meios de nos proteger, seja por meio de um isolamento parcial (que não seria eficaz), seja por meio de uma busca desenfreada e exagerada de informações, ou ainda através de recursos criados pelo próprio indivíduo que acreditar estar protegido (por exemplo, tomar vitaminas diariamente).

Realizado o primeiro impacto, uma explosão de emoções acontecem em nossa mente através de uma frenética conexão de novas sinapses que buscam construir um conceito e um padrão de resposta para este novo cenário. Muitos relatam: medo, raiva, confusão, irritação, tristeza, ansiedade, dúvida, insegurança, impotência, apatia e desorientação entre tantas outras emoções. Mas sem dúvida, o medo é a primeira emoção relatada pela grande maioria acompanhado de ansiedade e insegurança.

Diante de tanta agitação externa e interna, quero dizer, externa por que parece que o mundo parou (e de fato parou) e nossa rotina se alterou quase que por completo, e interna, por que são muitas as emoções para dar conta de controlar e administrar nossas reações de forma razoável para que possamos nos realinhar a uma nova normalidade.

Mas como já se sabe, toda evolução e crescimento advém de alguma crise, significa que passaremos por turbulências e dificuldades para depois, e somente depois, alcançarmos uma condição de crescimento, aprendizado e evolução pessoal e humana.

Cabe destacar que, a evolução deste processo depende de vencer cada etapa de forma a construir algum aprendizado, o que significa extrair lições que se apliquem ao nosso dia a dia mudando e transformando hábitos, crenças e conceitos de maneira a impactar em nossas relações de um modo geral. E, justamente, a mudança de valores e significados é que dará condição de uma nova normalidade.

Para entender o processo de adaptação e assimilação deste fenômeno, vamos refletir sobre como acontece a compreensão, e em que se apoia este processo de forma que permita uma assimilação lúcida e adequada da realidade que se apresenta.

 

Nossas reações diante de fatos novos e inesperados dependem de 3 elementos que determinam nossas condições de assimilação e compreensão dos fatos, são elas: estrutura de personalidade, experiências anteriores e percepção da realidade.

A estrutura de personalidade depende de como outros fatos relevantes anteriores a este forma vividos e como se deu a adaptação a estes, se foi aceito e compreendido com abertura e flexibilidade, o quanto abalou ou não os relacionamentos interpessoais, se houve controle emocional, empatia em relação aos demais, e ainda, se o indivíduo foi capaz de reconhecer suas reações para melhor lidar consigo mesmo no sentido de buscar a melhor resposta emocional para cada situação, ambiente e pessoa. Essa condição de lidar com as emoções poderá definir se o indivíduo irá responder ao evento de forma a favorecer sua adaptação e acomodação diante do novo, ou se irá sucumbir a reações emocionais de maior desgaste, sofrimento e resistência prejudicando a construção de novos comportamentos, novos hábitos e uma nova normalidade. A resistência se revela na forma de uma negativa em aceitar os fatos e as repercussões advindas. Pode ser percebido pela reação de diminuição da importância das consequências, minimizando seus riscos e procurando acreditar que não se trata de nada relevante, ou que exija mudanças de hábitos ou de comportamentos. Ainda sobre este aspecto, pode haver reações de pânico, de pensamento catastrófico ou de confusão. Significa uma exacerbação das reações de maneira que o indivíduo perde a dimensão dos fatos conferindo a estes, uma dimensão que justifica sua reação de medo exagero e super dimensionado. A confusão se configura em uma dificuldade de formatar uma resposta emocional que não adota o vetor do desânimo ou do ânimo, nem do medo ou da coragem. Na verdade, o indivíduo não sabe em que acreditar, não constrói uma compreensão dos fatos e a busca por informações é vivida sem foco, portanto sem trazer compreensão. De qualquer forma, todas estas respostas retratam imaturidade emocional que prejudicam a adaptação ao evento estressor.

Em relação as experiências anteriores é preciso observar como foram registradas outras situações semelhantes em que foi necessário adaptação e ajuste emocional, isto é, como que a pessoa lidou com situações marcantes, se de forma a aprender lições, mudar hábitos e evoluir, ou se em forma de grande sofrimento psíquico, com traumas e lutos mal resolvidos. Esta condição de lidar e assimilar experiências difíceis irá determinar como o evento da pandemia e do isolamento será vivido – se trará evolução ou trauma. Quando a situação vivida é tratada com abertura ao aprendizado, como uma oportunidade de autoconhecimento e com uma real disposição de revisar seus comportamento e reações, na busca por um novo padrão que possa estar mais bem alinhado com seus valores e seus propósitos de vida, a experiência é registrada sob a forma de aprendizado. Caso contrário, a experiência ficará registrada como apenas sofrimento, sem identificar as lições aprendidas, permitindo que as emoções predominem de forma desfavorável.

A percepção da realidade, ou ainda a forma de construir esta percepção, também será um fator fundamental na assimilação de um novo evento estressor, neste caso, a pandemia. Uma variante a considerar neste caso, é a capacidade cognitiva que irá interferir na condição com compreensão, e, portanto, de compreensão. Alguns fatos referentes a este evento, podem requerer maior reflexão e aprofundamento, ou ainda interrelação de dados para um entendimento de suas consequências através do tempo e dentro de uma perspectiva de futuro. Associado a isto, está a fonte de informações para permitir uma melhor clareza e fidedignidade de dados. Naturalmente os cuidados com as fakes news se tornam imprescindíveis, já que este passou a ser um fator relevante e interveniente da construção do cenário de realidade que se espera compreender.

Estes aspectos, se bem construídos, permitem a assimilação de um novo evento estressor através de uma perspectiva positiva, reflexiva, significativa e transformadora com aprendizado e a construção de novos hábitos mais significativos e alinhados a uma nova normalidade que já começa a ser instituída em nossa rotina e realidade diária.

Ao que tudo indica, esta pandemia parece ter vindo para encerrar uma fase de nossa história e dar início a uma nova ordem. Muitas questões já tomam conta em todos os fóruns de discussão: Como será o mundo pós-Coronavírus? Que lições teremos aprendido? Como passaremos a lidar com a saúde? Como será a vida cotidiana? Haverá mudanças nas relações de afeto, o mercado de consumo, a espiritualidade? Ninguém tem ainda essas respostas. O resultado vai depender de nossa com­preensão dos acontecimentos, dos posicionamentos da sociedade civil, das atitudes socialmente responsáveis das empresas, dos caminhos adotados pelos governantes. Mas as mudanças já estão despontando em alguns cenários.

 

Artigo escrito por Lúcia Sebben, fundadora e Sócia Diretora da Sebben RH e Sebben Consultoria, Graduada em Psicologia Organizacional, Especializada em Administração de RH pela PUCRS, Consultora de Carreira, Palestrante e Coach – Formada pela Sociedade Brasileira de Coaching e certificada com o método Six Seconds para avaliação da Inteligência Emocional.

Psicóloga organizacional desde 1989 como consultora de empresas de pequeno médio e grande porte, dos setores público e privado em todo Brasil. Coach e consultora de carreira desenvolvendo pessoas na construção de novos comportamentos e atitudes com foco sobretudo, em Inteligencia Emocional. 

Pioneira em Avaliação Psicossocial no Brasil através de metodologia exclusiva já implantada e validade em várias grandes empresas no Brasil.

Consultora em Desenvolvimento Organizacional a partir de um RH estratégico. Ampla experiência em avaliações de perfis para fins de seleção, realocação, desenvolvimento e promoção criando métodos específicos (Assessment Center, DISC e Six Seconds) alinhados a necessidade do cliente através de uma variada gama de técnicas científicas e validadas pelo CFP.

Facilitadora em treinamentos para o desenvolvimento de líderes e na formação de novos líderes em níveis intermediários e em alta administração.

Professora e palestrante em todo Brasil sobre Avaliação Psicossocial, Gestão do Risco Psicossocial, Gestão de Carreira, Inteligência Emocional e Liderança e método específico e exclusivo para mapeamento de perfis comportamentais.


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