-- Global site tag (gtag.js) - Google Ads: 800368142 -->
Compartilhe:
  •  
  •  
  •  
  •  

A relevância deste tema pode ser identificada através de números que desafiam os profissionais da área de SST – o Brasil atualmente é o 4º país com mais acidentes de trabalho, e no trânsito, somo o 1º país que mais registra acidentados no mundo.

Em 2006, o Ministério do Trabalho passou a exigir que todos os trabalhadores que atuam em espaços
confinados fossem avaliados periodicamente para predizer suas condições de lidar com os riscos
psicossociais, buscando desta forma, reduzir acidentes. Esta exigência se estendeu aos trabalhadores que
atuam em altura e com produtos inflamáveis. Contudo, não havia uma metodologia que atendesse a esta
demanda, assim como não era claro o que seria uma “avaliação psicossocial”.

Como o apoio de alguns clientes e esclarecimentos da DRT de Porto Alegre, pude desenvolver um método que desde então, vem contribuindo para a redução de acidentes e renovação da cultura de SST das empresas.

Trata-se assim, de compreender como os acidentes acontecem acessando a mente humana. Falar de riscos psicossociais implica em aceitar que, as causas de um acidente de trabalho vão além de questões técnicas e operacionais. Muitos perguntam: por que uma pessoa com muita experiencia e com conhecimentos se acidenta? Por que não cumprem normas e não seguem regras básicas, mesmo sabendo que sua vida está em jogo? A resposta a isso, pode identificar o quanto o trabalhador está em condição de lidar com os riscos psicossociais de seu contexto.

A premissa de que “quando vou trabalhar deixo meus problemas em casa”, já não pode mais ser aceita.
Simplesmente porque não é verdadeira. Sim, nossas angústias, estresse, problemas e preocupações vivem dentro de nós e nos acompanham onde quer que se vá. Aceitar esta realidade já permite um novo olhar sobre saúde e segurança no trabalho.

É fundamental compreender os valores que orientam o comportamento do trabalhador, assim como quais as atitudes que determinam suas reações. Este sujeito que se expõe a riscos diariamente está em condições psicológicas de realizar este tipo de trabalho? Terá ele saúde mental para ser capaz de se preservar enquanto produz e atende as pressões da vida diária? O quanto ele tem consciência do seu estresse, e o que faz para reduzir seus efeitos?

Para melhor compreender este tema é preciso discernir o que são FATORES PSICOSSOCIAIS e o que são RISCOS PSICOSSOCIAIS. O primeiro se refere a tua que pode vir a prejudicar a saúde mental do trabalhador advindo da vida diária, seja no trabalho ou em casa. E o segundo, é quando estes fatores já estão indo além dos recursos psicológicos disponíveis pelo individuo para suportar estes fatores externos, tornando-se risco.

No trabalho, os riscos podem ser percebidos através de exigências demasiadas, pressões diárias por
produtividade e resultados, ambiente tenso, problemas de relacionamento, medo de demissão, atividade
exaustiva e repetitiva, entre tantos outros. Já na vida familiar, percebe-se conflitos, brigas, endividamento, problemas com saúde de algum familiar, desintegração familiar, divórcios etc. Tudo isso sobrecarregando a estrutura emocional do trabalhador, prejudicando sua saúde mental e fragilizando sua condição de trabalhar com segurança.

Atualmente sabe-se que os transtornos mentais são a principal causa de afastamento do trabalho. E
infelizmente, as causas psicossociais de acidentes ainda não fazem parte das perícias pós acidente.

Prefere-se falar em “causas operacionais” ou “falha humana” o que na verdade, deveria ser tratado como RISCO PSICOSSOCIAL que vem adoecendo e provocando acidentes diariamente no Brasil e no mundo.

Lúcia Simões Sebben

Psicóloga especialista em SST

 


Compartilhe:
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe uma resposta

Open chat
1
Fale com nosso setor comercial! Como podemos te ajudar?