Vou começar este texto lhe fazendo uma pergunta: O que vem a sua cabeça quando você pensa em uma empresa de excelência em Segurança do Trabalho? Uma nova visão sobre a Segurança do Trabalho
Antes que você responda, eu gostaria que você soubesse que fiz esta pergunta para alguns alunos e todos responderam que seria uma empresa sem acidentes e doenças. Alguém deve estar pensando: Sim, também pensei nisso. Qual o problema?

Você não acha estranho relacionar a Segurança justamente com situações em que não temos a Segurança?

Não sei se você consegue perceber que olhamos para a Segurança do Trabalho por meio das situações que dão problema, ou seja, uma empresa é considerada segura ao ser avaliada pelo baixo número de acidentes ou doenças e não por situações positivas e seguras que desenvolva, ou seja, ao invés de termos indicadores que crescem pois estamos acertando mais, avaliamos a Segurança do Trabalho pela diminuição do número de erros. Uma nova visão sobre a Segurança do Trabalho

Qual o problema? Você pode estar dizendo.

Se a segurança é vista como um não-evento, algo que não deve ocorrer, ela não pode nem ser observada, nem medida. Se passamos cinco anos sem nenhum acidente diremos que a empresa é perfeita, mas não temos como dizer exatamente como conseguimos isso. Ao mudarmos nosso modo de pensar e passarmos a entender os motivos das tarefas darem certo e reforçar estas ações, teremos uma visão mais coerente de ser entendida.

Se passarmos a identificar o problema apenas quando algo inadequado como um acidente, ocorrer devido a algum ajuste que não deu certo, não funciona. Percebe que trabalhamos de forma reativa.

Também pensava do jeito tradicional como Segurança do Trabalho sendo menor número de erros, mas faz algum tempo, fui apresentado pelo colega Paulo Gomes a um estudioso que me fez mudar a visão sobre o tema.

O estudioso é o professor Erik Hollnagel que apresenta um conceito diferente sobre o tema. De acordo com Hollnagel, nosso foco deveria ser oposto, ou seja, o que fazemos para que as atividades deem certo. Por exemplo, se você faz a manutenção de uma determinada máquina semanalmente durante cinco anos e nunca houve nenhum problema, mas após 260 atividades adequadas temos um acidente, como agimos? Atualmente vamos tentar descobrir o que deu errado, mas nunca nos passa pela cabeça identificar o que foi feito nas outras 260 vezes que sempre deu certo. Ou seja, quais os ajustes e habilidades que foram semanalmente utilizados que evitaram este acidente.

Hollnagel, defende que a gestão da segurança deve deixar de tentar assegurar que “o menor número possível de erros ” e passar a assegurar “o maior número possível de acertos”. Chama essa visão de Segurança II.

Devemos ter em mente que mesmo estabelecendo procedimentos detalhados e treinamentos contínuos, na vida real o trabalho diário possui uma variabilidade de desempenho que apenas por meio de contínuos ajustes realizados pelo trabalhador, acidentes são evitados e sucessos são alcançados.

Ou seja, os trabalhadores são considerados como um recurso essencial para obter a flexibilidade necessária ao sistema, visão diferente da segurança tradicional que considera a falha dos trabalhadores como a causa dos acidentes. No entanto, não significa que devemos jogar toda a nossa antiga gestão para o ar e focar apenas nesta nova visão, o ideal é justamente juntar as duas formas de pensar para assim conseguir uma empresa realmente segura.

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